As relações afectivas na idade adulta são muito importantes para a saúde mental
Ao longo da vida, todos nós podemos ser afectados por problemas de saúde mental, de maior ou menor gravidade. Algumas fases, como a entrada na escola, a adolescência, a menopausa, o envelhecimento, ou acontecimentos e dificuldades, tais como a perda de um familiar próximo, o divórcio, o desemprego, a reforma, dificuldades financeiras, factores genéticos, infecciosos e ou traumáticos, podem ser a causa de perturbações da saúde mental.
Saúde mental é um termo usado para descrever um nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional ou a ausência de uma doença mental. A saúde mental também diz respeito à capacidade de um indivíduo apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as actividades e os esforços para atingir a resistência psicológica. Os resultados das investigações centradas nas relações afectivas da idade adulta revelam que as relações de vinculação inseguras se encontram ligadas à presença de psicopatologias no adulto. As relações afectivas são consideradas, pela maioria das pessoas, como a parte mais importante das suas vidas, podendo estas contribuir como factores de vulnerabilidade ou de protecção dos indivíduos. O que caracteriza a vinculação é o comportamento que promove a proximidade ou contacto com uma ou mais figuras específicas a que o indivíduo está vinculado.
O conceito de vinculação no adulto tem aspectos congruentes com a Teoria de Vinculação na sua globalidade, nomeadamente ao mencionar-se que os comportamentos da vinculação acompanham o indivíduo desde o berço até à morte.
A Vinculação no adulto resulta da vinculação durante a infância; no entanto, existem características próprias , como por exemplo, as relações serem tipicamente estabelecidas entre pares e não entre quem recebe cuidados e quem os dá; não se destacarem tanto de outros sistemas comportamentais, dada a menor responsabilidade implicada e incluindo, muitas vezes, relações de natureza sexual. Durante a infância, a exposição mais ou menos continua ao stress ( elevado ou baixo) funciona como um mecanismo de risco para a psicopatologia, por não permitir a aprendizagem de formas adequadas de coping (disposição para gerir o stress). Estas podem ser treinadas quando os níveis de stress são moderados, assumindo, assim, a forma de mecanismos de protecção. O factor de resistência prende-se com as variações individuais em resposta a factores de risco, traduz a relatividade das respostas individuais face à exposição ao mesmo grau de risco. Mecanismos de protecção e de risco dizem respeito à modificação da resposta do indivíduo face a situações de stress, modificação essa para formas mais adaptativas. Estes mecanismos actuam sob a forma de pontos de viragem na vida dos indivíduos e não como atributos ou experiências de longa duração.
A protecção e risco residem na forma como as pessoas lidam com as mudanças que ocorrem ao longo da vida. Estas são influenciadas por experiências precoces na infância, adolescência e pelas circunstâncias na vida adulta. Nenhum destes aspectos determina resultados finais, mas juntos conduzem a uma cadeia de efeitos indirectos, que se repercute no grau de resistência / vulnerabilidade individual perante as diversas adversidades.
Podemos aumentar os nossos mecanismos de protecção e grau de resistência às adversidades mantendo-nos intelectual e fisicamente activos, estimulando o cérebro (através de estratégias, como por exemplo: palavras cruzadas, pesquisas na Internet, jogos de estratégia). Devemos, ainda, levar uma vida social activa, ser optimistas, diversificar os nossos interesses, desenvolver laços familiares e de amizade e fazer exercício físico. Sabemos que este beneficia o organismo em qualquer idade; no entanto, vários estudos demonstram que a actividade física pode ser particularmente importante para a saúde mental dos adultos, melhorando não só a sua condição física como também a sua perspicácia mental.
Enf.ª Ana Isabel Mateus
CS PONTA DELGADA