Falar de aleitamento materno é falar de um assunto bastante frequente na prática clínica dos enfermeiros e de outros profissionais de saúde, especialmente no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, durante as consultas de Saúde Materna e Saúde Infantil.
Apesar do número crescente de mulheres que amamentam, ainda se verifica uma baixa adesão a este tipo de alimentação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1,5 milhão de crianças poderiam sobreviver se fossem alimentadas pelas suas mães com leite materno exclusivo até aos seis meses, e de modo complementar até aos dois anos ou mais.
Ainda segundo esta organização, apenas 35% das crianças com idade de seis meses são amamentadas em regime de amamentação exclusivo. Esta terminologia de “exclusivo “ significa que nem água é fornecida à criança para além do leite materno, uma vez que este contém a água necessária ao desenvolvimento seguro e adequado da criança.
O leite materno é considerado pela OMS como o alimento ideal para recém-nascidos e crianças pequenas, não só por ser seguro e oferecer todos os nutrientes que um bébé precisa para um desenvolvimento saudável, mas também por conter anticorpos que protegem a criança de doenças comuns na infância.
Uma criança amamentada, além de se defender melhor contra as doenças, é uma criança com um desenvolvimento neuro-psicomotor e até cognitivo melhor do que as crianças que não são amamentadas. . Para além destas vantagens a nivel imunológico proporciona uma maior e mais rápida recuperação do peso dos prematuros e de recém-nascidos de baixo peso.
Além disso, o leite materno previne a obesidade, evita a diarreia, diminui os riscos de alergia (especificamente sobre as proteínas do leite de vaca), evita as infecções respiratórias e otites, tem um efeito positivo na inteligência e na relação afectiva com a mãe, e proporciona um bom desenvolvimento da cavidade oral que se vai reflectir na fala e dentição.
A longo prazo, previne a hipertensão, diabetes, colesterol elevado e linfomas. Assim, poderá dizer-se que a “Amamentação” contribui para a diminuição da morbi- mortalidade infantil, para além do que, mesmo na idade adulta, também se usufrui dessa mais-valia adquirida pelo facto de se ter sido amamentado.
Para a mãe as vantagens também são inúmeras.
Entre elas salientamos as seguintes: maior facilidade na involução uterina, diminuindo o risco de hemorragia e de anemia pós-parto; diminuição do risco para o cancro da mama e dos ovários; prevenção da diabetes; e promoção do estabelecimento de uma relação entre mãe e filho, desenvolvendo um vínculo de tal modo forte que reforça a afectividade entre ambos.
É neste sentido que muitos estudos provam ser muito menos provável que uma mãe que amamente abandone ou maltrate o seu filho. Tanto a mãe como o filho saem desta experiência mais enriquecidos e com uma maior segurança e auto-estima
Estudos científicos apontam até para o benefício que a “amamentação exclusiva” pode trazer no espaçamento das gravidezes: melhor qualidade de vida de toda a família, maior comodidade e menor custo económico.
Por todas estas vantagens, tanto para a mãe como para o bébé, consideramos a amamentação uma opção responsável… um acto natural e insubstituível na vida do ser humano.
O vínculo que se forma entre o par de amamentação Mãe/Filho é muito forte, reforçando a afectividade entre ambos,
Na actualidade e como consequência da industrialização, o leite materno contém outros componentes que infelizmente são inalados ou ingeridos pela lactante e população em geral. Estes componentes, dioxinas, existem no ar e nos alimentos.
Como já referido, a criança aos 6 meses de idade, deverá iniciar outro tipo de alimentação para além do leite materno. Segundo Leonor Levy e Helena Bertolo, estes alimentos como a carne, peixe, leite e queijos ou mesmo a fast-food e os alimentos fabricados, em associação com a poluição ambiental, são os principais factores fornecedores de dioxinas e que são ingeridos por todos nós.
Contudo, vivemos num mundo de apelo à mudança de comportamentos favoráveis à redução destes níveis de dioxina, com consequente redução da sua eliminação dos no leite materno.
Como propostas preventivas temos: regulamentação para a descarga de dioxinas; redução do consumo de produtos animais e alimentos fabricados; substituição de gorduras animais pelas vegetais e a ingestão de leite e queijo magro em todas as idades.
No entanto, artigos científicos de especialistas em leite materno publicados a nível mundial, continuam a afirmar a importância que os componentes deste tem para o desenvolvimento do ser humano, tanto na sua vertente biológica como psicológica.
Lúcia Lucas
Enf.ª Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia