A violência tem-se assumido como um problema de saúde pública em todo o mundo, devido às suas consequências, quer para os indivíduos, famílias, comunidades ou países de forma geral, sendo reconhecida nas últimas décadas como um factor de risco para o desenvolvimento humano.
No meio escolar, a violência abrange um vasto campo de comportamentos dos quais o bullying se destaca. O bullying é um problema à escala mundial, uma realidade em inúmeras escolas, não se restringe a nenhum tipo específico de instituição, e ao qual as escolas açorianas não estão imunes.
O Bullying é descrito como um conjunto de actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo, ou grupos de indivíduos, com o objectivo de intimidar ou agredir o outro. Este tema tem surgido na esfera pública e suscitado debate e atenção por parte da comunicação social, autoridades, investigadores, sociedade em geral e principalmente por todos os que, directa ou indirectamente, sofrem ou vivenciam este tipo de violência.
Com a aproximação da celebração do Dia Mundial da Criança, este assunto assume especial importância, uma vez que o crescente número de crianças e jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade pessoal e social exige da sociedade um posicionamento e uma atitude pró-activa na resolução desta problemática.
Apesar do reconhecimento da gravidade deste problema, existe uma lacuna entre a complexidade do tema e o ambiente escolar. Na prática, o seu diagnóstico e acompanhamento parecem pouco eficazes, o que, na nossa perspectiva, se prende, sobretudo, com a ausência de uma rede estruturada de intervenção multidisciplinar, que se revele funcional, para actuar na detecção e encaminhamento precoce, de forma a desenvolver um trabalho efectivo e coeso face ao bullying.
Neste sentido, o enfermeiro especialista em enfermagem comunitária é deontologicamente responsável para com a comunidade na promoção da saúde e na resposta adequada às necessidades de cuidados de enfermagem; são-lhe, assim, reconhecidas competências para planear, implementar e coordenar programas de prevenção da doença e promoção da saúde. Como tal, deve participar na orientação da procura de soluções para os problemas de saúde detectados, em estreita colaboração com a equipa pedagógica, através de actividades formativas que visem a prevenção do bullying em crianças e adolescentes.
Considerando que nem sempre é fácil debelar situações de bullying, este tipo de intervenção terá que ser feita a vários níveis. Por um lado, salientamos a importância do envolvimento e responsabilização dos pais enquanto parceiros na redução de todos os aspectos da violência na escola. Por outro lado, transformar as escolas em locais mais seguros e tornar o seu ambiente mais saudável, onde se garanta o respeito pelas diferenças, deve ser o objectivo de todos os envolvidos no processo educacional. Também é necessário fortalecer a auto-estima destas crianças/jovens e encorajá-las a resolverem os seus conflitos, de forma a fragilizar a barreira que os impede de efectuar a denúncia.
Qualquer esforço interdisciplinar só tem sentido no terreno prático, onde os profissionais de saúde possam somar colaborações com a educação, os serviços sociais, a justiça, a segurança pública, o ministério público, o poder legislativo e o apoio da sociedade civil, delineando técnicas multidisciplinares de intervenção que possam reduzir este problema de forma eficaz.
Assim, profissionais, pais e sociedade em geral têm que assumir responsabilidades e agir orientados pelo princípio da cooperação, que deve prevalecer sobre a hierarquia das disciplinas, a competição institucional e a oposição entre teoria e prática no combate ao bullying.
Cristina Cordeiro
Daniela Pontes
Raquel Vieira
Verónica Amaral
Estudantes do Curso de Pós – Licenciatura de Especialização em Enfermagem Comunitária (CPLEEC)