Atualmente as condições gerais de vida, bem como as condições de trabalho, têm proporcionado uma maior facilidade e comodismo em tornar muitos trabalhadores, em idade produtiva, incapazes de responder às exigências das tarefas que lhes são propostas.
Para além do fator sedentarismo, a exposição, quase diária, às agressões sofridas de diferentes origens e características é outro fator que pode actuar de forma negativa na qualidade de vida das pessoas. Desta forma, e muitas vezes sem se aperceber, para executar uma tarefa em determinado posto, o trabalhador, dos mais diversos sectores, gera sobrecargas mecânicas nas suas estruturas ósseas, musculares e articulares, principalmente quando assume posturas ocupacionais ou funcionais inadequadas em função do seu local de trabalho. Como resultado dessas ações, o trabalhador apresenta vários sintomas, que se vão manifestando ao longo dos tempos, de forma concomitante e insidiosa, como por exemplo a dor (lombar e não só), parestesias, fraqueza, falta de coordenação, inabilidade no manuseamento de objectos, dificuldade em executar movimentos precisos, entre outros.
Assim, num mundo globalizado, onde padrões são substituídos no trabalho e nos estilos de vida pessoal, é urgente refletir sobre ergonomia como uma disciplina científica direcionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, com o objetivo de optimizar o bem-estar e a qualidade de vida, pessoal e laboral, do indivíduo, promovendo eficácia e segurança no seu desempenho global.
Compreende-se, assim, a pertinência do papel do enfermeiro como forma de assegurar a energia e o compromisso dos indivíduos com as novas formas de trabalho e de comportamento, incentivados por um ambiente de trabalho estimulante, criativo, envolvente e compensador. Para tal, é importante que a entidade empregadora reconheça também a importância das necessidades dos trabalhadores, uma vez que a capacidade destes torna-se o mais importante fator associado à sua produtividade, não só a nível físico, mas também ao das necessidades psicológicas, ambientais, organizacionais, individuais, entre outras.
O tema qualidade de vida no trabalho tem despertado interesse pela contribuição que pode oferecer para proporcionar motivação e satisfação ao indivíduo no seu ambiente de trabalho e consequentemente uma melhor “performance” produtiva do mesmo. Este tema tão atual tem merecido especial atenção pela sua potencialidade, não só em favorecer um incremento da produtividade, mas também em proporcionar que a satisfação das necessidades individuais possa ser alcançada no próprio ambiente de trabalho. Uma componente importante desta estratégia é o incentivo aos trabalhadores para a adoção de hábitos de vida saudáveis, capacitando-os fisicamente, ora para a realização das suas actividades laborais, ora na adoção de estilos de vida saudáveis que lhes permitam assegurar as suas competências aos mais diversos níveis e nas situações de maior desgaste.
Segundo o Programa o Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas, apresentado pela Direcção Geral de Saúde1, as lesões músculo-esqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT) são um conjunto amplo e diversificado de patologias que incluem algumas situações de lesões osteoarticulares e das bolsas sinoviais que apresentam na sua origem factores de risco de natureza ocupacional. Estas lesões apresentam-se como um dos aspetos mais condicionantes do futuro do trabalhador, pois acarretam como principais consequências a incapacidade funcional, quebra de produtividade e sofrimento pessoal.
A intervenção do enfermeiro de reabilitação incide, sobretudo, a nível preventivo não apenas no trabalhador,como também no local de trabalho, na adaptação do posto de trabalho e das ferramentas utilizadas, na implementação de mecanismos compensatórios da repetição de movimentos, das vibrações e das posturas inadequadas.
A realização de alguns exercícios no local de trabalho, associados à ergonomia, e adaptados às necessidades impostas pelo tipo de trabalho, executados, preferencialmente, sem sair do posto de trabalho, em breves períodos de tempo (15seg/2vezes cada exercício) e ao longo de toda a jornada laboral2, podem produzir resultados positivos para o trabalhador (redução de queixas álgicas, stress e aumento da motivação) e entidade empregadora (aumento da produtividade, diminuição da incidência de doenças ocupacionais e redução de despesas médicas) 3.
Bibliografia:
1 DIREÇÃO GERAL DA SAÚDE (2004). Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas. Acedido em 09/12/11, disponível em www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i006345.pdf
2 http://atividadefisicanotrabalho.blogspot.com/p/rotinas-de-alongamentos.html. Acedido em 09/11/2011.
3 SILVA, B. & SALATE, A. (2007). A ginástica laboral como forma de promoção à saúde. Fisioterapia especialidades, 1 (1), p. 15-19.
Vânia Gonçalves
Assistente na ESEnfPD – UAc