O tema da sexualidade na adolescência tem grande importância e actualidade, sendo os adolescentes considerados grupo prioritário, a nível da educação sexual da saúde reprodutiva e da adopção de estilos de vida saudáveis.
Deste modo, o papel dos profissionais de saúde e educadores é essencial para promover uma sexualidade responsável, gratificante e capaz de contribuir para a realização do adolescente como pessoa na sua plenitude. Conhecer as alterações e características da adolescência podem, sem dúvida, ajudar-nos não só a compreender melhor as vivências desta fase do ciclo vital como também o mundo do adolescente de forma mais global. Na adolescência ocorrem várias transformações em simultâneo, a nível biológico, psicossocial, moral e sexual. Numa sociedade dominada pelas exigências e mudanças, muitos valores vão sendo alterados, o que leva a criar nos adolescentes incertezas e dúvidas. As mudanças na configuração corporal são uma preocupação do adolescente, vivenciada por vezes com ansiedade. Sabendo da importância sociocultural atribuída à imagem corporal, confronta-se com a existência de padrões de beleza e habilidades corporais socialmente estereotipados. Por tal facto, é importante uma aceitação positiva e incondicional do próprio corpo, de modo a que dentro do grupo de iguais não se sinta deslocado e sujeito a pressões.
Por outro lado, a sexualidade é uma vertente essencial na vida humana, que também envolve dimensões fisiológicas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais.
O despertar para a sexualidade é nos dias de hoje cada vez mais precoce. As consequências de um início prematuro e irreflectido da vida sexual do adolescente, aliada à vulnerabilidade e aos riscos, podem ter efeitos indesejáveis, tais como gravidez e infecções sexualmente transmissíveis (IST).
A sexualidade pode ser vivida de forma saudável, mas é importante que os adolescentes estejam informados e conscientes acerca de todos os aspectos relacionados, nomeadamente os biológicos, as consequências da actividade sexual e as principais medidas de protecção. É neste sentido que o enfermeiro tem um papel crucial no ensino, acolhimento e intervenção perante os adolescentes, de modo a ajudá-los a vivenciarem a sua sexualidade de forma informada e agradável, assegurando que o adolescente seja atendido e orientado atempadamente. Surge, assim, a necessidade de programar uma forma de atendimento específico dirigido aos adolescentes, como a consulta de enfermagem do adolescente, com vista não só à sensibilização de adopção de estilos de vida saudáveis, mas também à vivência de uma sexualidade responsável e informada.Deste modo, a abordagem educativa nesta temática deverá pressupor uma comunicação eficaz, sustentada em bases científicas, legais e um adequado relacionamento entre o enfermeiro e os adolescentes, com base na confiança e respeito, para que se sintam seguros, na sua intimidade e privacidade, salvaguardando a qualidade na prestação dos cuidados de enfermagem e todas as orientações éticas e deontologias inerentes à profissão de enfermagem. O direito e a promoção da saúde reprodutiva e sexual na adolescência estão salvaguardados em matéria de legislação, nomeadamente no que respeita à educação sexual, tanto nas Escolas e nos Centros de Saúde como em parceria entre ambos, às consultas de planeamento familiar, à aquisição e distribuição gratuita dos métodos anticoncepcionais e contracepção oral de emergência.
Torna-se fulcral reconhecer a importância da educação sexual como um dos processos que influencia a maturação da personalidade e o modo de vivenciar a adolescência.
O enfermeiro tem um papel inigualável como educador, conselheiro e respeitador do adolescente na sua vivência da sexualidade.
Elaborado pelas Enfermeiras do CPLEEC da ESEPD:
Ana Paula Pacheco
Isabel Mota
Pilar Clemente
Orientado por:
Prof. Alberto Duarte