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Espaço Cidadão 
07-04-2008 
Dia Mundial da Saúde - Alterações climáticas: preparar os profissionais é fundamental 

Apesar da sensibilização das populações para a problemática das alterações climática não ser recente, só há pouco tempo se começou a assistir uma maior preocupação por parte da sociedade civil. E como cada vez é mais evidente constatar que as alterações climáticas são uma realidade que veio para ficar, há que apostar numa atitude proactiva, de modo a fazer face, da melhor forma possível, aos efeitos nefastos das mudanças de clima.

No que aos profissionais de saúde diz respeito, a necessidade de adoptar atitudes proactivas é ainda mais premente, pois não nos podemos esquecer que as alterações climáticas acarretam riscos de saúde para a população de qualquer parte do mundo.

Os enfermeiros, sendo profissionais extremamente vocacionados para o contacto com as comunidades, poderão desempenhar um papel relevante na educação / sensibilização das populações para esta temática. No que se refere à prestação de cuidados e auxílio a vítimas de doenças agravadas por alterações climáticas / catástrofes ambientais, os enfermeiros também podem dar um importante contributo, especialmente se integrados em equipas multidisciplinares de resposta a situações excepcionais. É preciso ter a noção de que, nos casos de catástrofes naturais, tanto as infra-estruturas como os profissionais de saúde locais são, muitas vezes, afectados. Por isso, toda a ajuda é bem-vinda, especialmente se for bem planeada e coordenada entre os diversos profissionais envolvidos. 
É por isso que consideramos imprescindível que os profissionais de saúde estejam cada vez mais preparados para lidar com as consequências das alterações climáticas e de catástrofes naturais.

As atribuições conferidas à Ordem dos Enfermeiros (OE) têm proporcionado um conjunto de condições que podem ter implicações positivas na preparação de respostas em situações de catástrofes naturais. Entre outras, a OE tem promovido a intervenção de enfermeiros em acções de ajuda humanitária. Outro dos papéis que a Ordem pode e deve desempenhar consiste em preparar / formar enfermeiros para participar em equipas multidisciplinares e agir nas melhores condições possíveis. 

Mas, em nosso entender, há ainda muito a fazer. A realização de simulacros, por exemplo, para que se possa ter uma noção mais precisa dos meios de resposta necessários é fundamental. É criando cenários o mais aproximados possível a uma provável realidade que os profissionais também podem delinear, com maior profundidade, estratégias efectivas de intervenção.

Consideramos igualmente, tal como já o transmitimos ao Dr. Abílio Gomes, Presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que seria importante que esta entidade retomasse a proposta de constituir uma «bolsa» de técnicos de saúde qualificados para intervir em situações de catástrofe. Só assim se poderá garantir o trabalho e a formação contínua de um grupo especialmente dedicado a esta problemática.

As alterações climáticas estão a modificar os padrões de incidência e de transmissão das doenças infecciosas, em particular das que possuem maior letalidade. Estão, igualmente, a mudar as causas de morte das populações (são disso exemplo as ondas de calor), bem como a evolução de doenças crónicas relacionadas com aspectos ambientais.

Sensibilizar as populações para os riscos, apostando na sua educação tanto para a saúde, como para a defesa do ambiente, sempre com o objectivo de se obter ganhos em saúde e conseguir reverter os efeitos das alterações climáticas, é pois, uma missão extremamente importante. Os enfermeiros encontram-se numa situação privilegiada de proximidade. Atendendo à natureza dos cuidados de Enfermagem, o envolvimento e a sensibilização para hábitos de vida saudáveis e implicações na saúde individual e colectiva, fazem parte das competências dos enfermeiros.

A Ordem dos Enfermeiros acredita que os enfermeiros portugueses estão disponíveis para, juntamente com outros profissionais de saúde, responsáveis políticos e representantes de outros sectores de intervenção, se debater as questões em causa e trabalhar no sentido de definir respostas qualificadas e multidisciplinares a dar às populações.

Divulgado no Espaço Cidadão a 11.08.2008

GCI/LCN 
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