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SERVIR A COMUNIDADE E GARANTIR QUALIDADE
Celebrou-se, no passado dia 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro, dia do aniversário natalício de Florence Nightingale, fundadora da enfermagem moderna e profissional. Para este ano, o Conselho Internacional de enfermeiros (ICN) adoptou o lema “Servir a comunidade e garantir qualidade: os enfermeiros na vanguarda da inovação dos cuidados”.
De facto, ao longo da história, os enfermeiros têm sido vanguardistas e inovadores em muitas situações de variada natureza, desde a clínica à tecnológica, ao desenvolvimento de novos métodos e técnicas de organização e de prestação de cuidados personalizados e de proximidade às pessoas, famílias e comunidades. Sempre com o objectivo de obtenção de mais-valias em saúde e de optimização dos também sempre finitos recursos disponíveis.
A inovação é central para a melhoria contínua da qualidade dos cuidados. E os enfermeiros têm inovado na procura e na descoberta das melhores formas de promover a saúde, de prevenir as doenças e nas metodologias e mais adequadas tecnologias de melhor cuidar e curar.
Referindo o exemplo pioneiro de Florence Nightingale, um documento do ICN especialmente preparado para este dia, apresenta o seu clássico estudo sobre a morbilidade maternal após o nascimento da criança. Observando o elevado número de mortes de mulheres nas enfermarias hospitalares após o parto, Florence formulou a seguinte e aparentemente simples questão: Será que morrem mais mulheres após o parto no hospital do que em casa? E se sim, porquê?
A procura de resposta para esta interrogação evidenciou uma taxa de mortalidade mais elevada no hospital, resultando na implementação de medidas inovadoras com consequentes mudanças nos serviços, as quais se traduziram no salvamento de muitas mulheres.
Outros exemplos de inovação são igualmente referidos pelo ICN e outros tantos poderíamos entre nós, na RAM, enumerar. Todavia, porque os tempos que actualmente vivemos exigem de todos nós o incremento de soluções para novos desafios e problemas, alguns deles artificial, intencional e desnecessariamente criados, ficaremos pela menção de algumas sugestões que entendemos passíveis de realização no curto prazo, para os Cuidados de Saúde Primários.
Conforme refere o ICN, os enfermeiros encontram-se numa posição única para identificar factores de risco, providenciar informação acerca do modo mais apropriado de gestão desses mesmos riscos e da divulgação dos benefícios da adopção de estilos de vida saudáveis e evitação de comportamentos de risco.
A componente central dos Cuidados de Saúde Primários é o conceito de processo e desenvolvimento comunitário. Definidos, respectivamente, como sendo o processo de sucessão de interacções positivas ou negativas e padrões de relacionamento entre os membros da comunidade que vivem e funcionam lado a lado numa determinada localidade ou área geográfica e o crescimento e expansão conseguidos pela comunidade. Assim, a organização dos cuidados de enfermagem nos nossos Centros de Saúde não poderá descurar a vertente familiar e geodemográfica, na procura das melhores respostas em cuidados de saúde de proximidade.
De acordo com um estudo de Hughes (2006), os enfermeiros prestam 80% dos cuidados primários de saúde, verificando-se este percentual ainda superior para a totalidade dos cuidados. Trabalhando muito perto com as comunidades, o seu papel na promoção da participação da comunidade na melhoria dos níveis de saúde e de bem-estar afigura-se como sendo crucial para a consecução de comunidades saudáveis e para o desejável e necessário desenvolvimento sustentado.
Neste sentido, defendemos como urgente a conclusão do processo de implementação do enfermeiro de família, por área geográfica, por o considerarmos indispensável à garantia da qualidade dos cuidados aos cidadãos e ao facto de ser conforme com as evidências científicas, normas profissionais, técnicas e boas práticas de enfermagem.
Afinal, em nosso entender, tal não se verifica incompatível com a proclamada vontade de implementação da equipe de saúde (se efectivamente centrada no cidadão e não na vaga noção de “medicina familiar ”, entenda-se, por vezes, “lista do médico”, visitador esporádico do domicílio do utente; ou “freguesia”, que pode ir do mar à serra), como recentemente anunciado pelo SESARAM.
E que, além disso, de um verdadeiro trabalho de equipa se trate, definindo-se adequadas proporções e combinações de profissionais de acordo com as reais necessidades das comunidades locais e que, paulatinamente, também a maior parte dos clínicos para uma verdadeira intervenção familiar e comunitária evolua, como de resto as necessidades e a adequação das respostas de cuidados globais, personalizados, contínuos, de proximidade e de qualidade assim o aconselham!
Por Enfermeiro Élvio Henriques Jesus, Jornal da Madeira, 17 de Maio de 2009 |
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Para consultar a entrevista na integra faça aqui o download da mesma, consultando em seguida o PDF nas páginas 6 e 7.
ENTREVISTA DO ENFERMEIRO JUAN CARVALHO AO DIÁRIO CIDADE
A sobrecarga horária é uma das principais queixas apresentadas pelos profissionais de enfermagem ao Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira, sobretudo aqueles que trabalham nos Serviços de Urgência, nos internamentos ou nos centros de atendimento da Gripe A. Segundo adiantou ainda o responsável pelo Sindicato dos Enfermeiros, Juan Carvalho, as “mudanças no SESARAM não estão a ser nada benéficas para o bem-estar dos enfermeiros e da própria profissão”. |
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O MEDO
Nesta hora difícil, a da luta dos enfermeiros, justa, e sem caprichos, existem sempre os que "se vendem por trinta dinheiros", outros que bem instalados fazem o jogo sujo, utilizam a inexperiência profissional aliada, à da pouca experiencia de vida, e criam situações de intimidação, promovem a teoria da conspiração do medo: são excelentes discípulos de Maquiavel.
Caros colegas a hora é de luta, não nos podemos dar ao luxo de amedrontar seja que ameaças vos façam, escudem-se no aconselhamento dos colegas mais velhos, sejam solidários, não se deixem amedrontar nem aceitem que em nome de uma crise vos exigem sacrifícios, onde os únicos a sacrificar serão a hipoteca do vosso futuro, associada a uma humilhação abjecta e vil.
À vista de todos está, como esta sociedade pede e aplica a mesma receita á dez anos em que os que são atirados para a "pira do sacrifício" são sempre os mesmos; vejam os acordos políticos que um governo faz, em que uns são filhos e outros bastardos.
Não serão os enfermeiros tratados agora de forma humilhante, como bastardos entre licenciados, admitidos uns como filhos e outros como enteados, contrariando os mais básicos princípios de uma nação que se afirma uma democracia. Se vos atirarem com epítetos políticos, porque neste Portugal ainda "fazer greve" é ser de esquerda, se tal acontecer e o forem realmente de esquerda assumam-no com frontalidade e orgulho, como assumo a defesa da classe profissional a que pertenço, e nunca deixei de ser um defensor da social-democracia, de uma que não promova políticas de "filhos e enteados".
Existem mecanismos legais que protegem quem luta pela justiça dos seus direitos, sem em simultâneo esquecer os seus deveres, que se reflectem na justa aplicação dos "serviços mínimos"; mínimos no verdadeiro sentido do que devem ser, daquilo que claramente está definido serem, de modo a não serem usurpados e transformados em terreno de fácil abuso ou arma de amedrontamento.
Portugal jamais será uma moderna nação enquanto estiver subjugada, na saúde, a reinos feudais, anacrónicos, onde apenas uma classe profissional, julga que por decreto deve liderar todas as equipes multidisciplinares, esta luta dos enfermeiros é o princípio de uma luta, uma peça do puzzle, na reconquista da sua posição e identidade social.
Lembrem-se de que "Não vencemos de todas as vezes que lutamos, mas perdemos todas as vezes que o não fizemos", e sem medo não existem heróis, nem na banda desenhada.
Sempre disponível, o vosso colega que nesta luta diz "presente".
Por Enfermeiro, J. Edgar da Silva, DNotícias Madeira, 26 de Janeiro de 2010
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CUIDAR COM ARTE
Muito se tem dito...
Mas será que não se esqueceram do essencial!? Enfermagem é "Cuidar com arte!"
Foi isso que me fez apaixonar-me pela minha profissão!
Entristece-me saber que o meu empenho não é valorizado!
O meu amor não diminuiu...
O que está a acontecer é que a maioria esqueceu a essência!
Não podemos "Cuidar com arte!" se não nos oferecerem condições para tal!
Não podemos "Cuidar com arte" se não fizermos valer os nossos direitos!
Não podemos "Cuidar com arte" se não nos unirmos e lutarmos em conjunto!
Não podemos "Cuidar com arte" se não reinvindicarmos o que é nosso!
Não podemos "Cuidar com arte" se não cuidarmos de nós próprios!
Porque não é justo aquilo que se está a passar...
Temos que fazer-nos ouvir e tentar fazer algo para que a mudança aconteça...
Juntos podemos voltar a acender a Lamparina que serve de estendarte para que a Enfermagem volte a ser "Cuidar com arte!".
Por Tânia Quintal
DN Madeira, 24 de Janeiro de 2010 |
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ÚLTIMAS DO ICN BULLETIN
Para mais informações siga esta hiperligação
Conteúdos deste boletim:
- ICNP Strategic Advisory Group
- ICNP in Madeira
- ICNP in Norway
- ICNP Conference in Poland
- ICNP at ICN Congress
- New ICNP Centre
- Chilean Centre Update
- German Speaking Centre Update
- Quick News
- New ICN Telenursing Network
- Conference Announcements
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"ENFERMEIROS DENUNCIAM CLIMA DE MEDO"
"Há uma acção concertada, ao mais alto nível da hierarquia da Saúde, com o objectivo de calar as vozes mais assertivas, ou seja calar aqueles que estão mais próximos dos utentes e que sabem dos problemas e das necessidades". A denúncia é de Élvio Jesus, presidente da Ordem dos Enfermeiros, que fala da existência de um "clima de medo e de perseguição" com o intuito de calar aqueles que sabem, por dentro, o que vai mal no sistema de saúde da Madeira.
DN Madeira - 24 de Dezembro de 2009
Clique aqui para aceder ao artigo completo |
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O presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros lamenta o clima de "intimidação" e "desnorte" que se vive no Serviço de Saúde da Madeira. O desabafo é a reacção à notícia do DIÁRIO sobre o afastamento da enfermeira chefe do Centro de Saúde de Santo António.
Para aceder à totalidade do artigo clique aqui |
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ENTREVISTA DO ENFERMEIRO ÉLVIO À TSF
Nos últimos tempos os enfermeiros madeirenses têm abandonado a região à procura de melhores condições de trabalho.
O alerta é do Presidente da Ordem dos Enfermeiros na Madeira, Élvio Jesus, que em declarações à TSF manifestou preocupação face a esta situação.
Élvio Jesus aponta dois motivos para a saída destes profissionais: desmotivação dos enfermeiros com mais tempo de serviço, em consequência das últimas alterações feitas pelo Serviço Regional de Saúde, e dificuldades de colocação no mercado de trabalho por parte dos recém-licenciados nesta área.
Para ler entrevista na integra clique aqui |
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SAÚDE MENTAL, POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL
Comemorou-se, no passado dia 10 de Outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental. Uma efeméride aproveitada pela Casa de Saúde de S. João de Deus para a realização das IV Jornadas de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria. Um importante evento multidisciplinar envolvendo cerca de quatro centenas de profissionais, no qual foram debatidas temáticas muito importantes, úteis e actuais.
Ontem celebrou-se o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, uma oportunidade para “abrir caminho” a relevantes actividades que se vislumbra virem a ocorrer por esse mundo fora, no decurso do próximo ano, declarado pela União Europeia (UE) “Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social”.
Como sabemos, a falta de saúde contribui, de modo determinante, para a pobreza. Por seu lado, a pobreza afecta a saúde, induz a falta de segurança e promove a exclusão social. E, considerando a Saúde Mental, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) - “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”, podemos inferir que a falta de saúde mental verifica-se de modo também mais frequente entre as pessoas com menores recursos económicos.
Assim, no sentido de tentar reverter esta situação, recentemente, pelo menos quatro outras importantes iniciativas aconteceram a nível Internacional, uma das quais já aqui referida, “2010, Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social”. Uma outra foi a aprovação, pelo Parlamento Europeu, no passado mês de Fevereiro, do Relatório sobre Saúde Mental. A Carta Europeia dos Sistemas de Saúde, de Junho de 2008, intitulada “Carta de Tallinn: sistemas de saúde para a saúde e prosperidade” e o Relatório Mundial de Saúde, publicado em 2009 pela OMS, sob o título “Cuidados de Saúde Primários, Agora mais que Nunca”, constituíram outros eventos igualmente importantes, os quais muito ajudarão no sentido da retoma do rumo dos Sistemas de Saúde para o qual foram criados.
No nosso país, salienta-se a aprovação, em 2008, do Plano Nacional de Saúde Mental, com inevitáveis repercussões positivas, esperamos, na nossa Região.
A este propósito refira-se, por exemplo, a carta de Tallinn, na qual os 53 Estados-membros da OMS - Europa afirmam acreditar que “investir em saúde é investir no desenvolvimento humano, bem-estar social e prosperidade; que, actualmente, é inaceitável que pessoas empobreçam (cerca de 100 milhões anualmente, segundo a OMS) em sequência da falta de saúde; que os sistemas de saúde são mais que a prestação de cuidados de saúde e incluem a prevenção da doença e a promoção da saúde; ...”, comprometendo-se a agir no sentido de “promover os valores partilhados da solidariedade, equidade e participação, através das políticas de saúde, da alocação de recursos e de outras acções, garantindo que a necessária atenção é prestada às necessidades dos pobres e de outros grupos vulneráveis”.
Ainda a OMS (2009), no referido Relatório Mundial de Saúde, aponta três tendências dos actuais sistemas de saúde que comprometem as respostas dos mesmos, desviando-os dos seus valores essenciais, designadamente, “um enfoque desproporcionado em cuidados terciários especializados, frequentemente referido como “hospitalo-centrismo”; a fragmentação, como resultado da multiplicação de programas e projectos; e a comercialização generalizada dos cuidados de saúde.”. De acordo com esta Organização Internacional, tal resulta, sobretudo, da demasiada ênfase em objectivos centrados na contenção de despesas e na desregulamentação dos sistemas, muito característicos das reformas do sector da saúde dos anos 80 e 90 (entre nós, desde há bem menos tempo, porém, tão crescentemente exacerbada!).
Conforme se pode ler no Pacto Europeu para a Saúde Mental e o Bem-estar (2008), “O nível de saúde mental e bem-estar da população é uma componente chave para o sucesso da UE como sistema económico e social baseado no conhecimento. É um factor importante para a realização dos objectivos da estratégia de Lisboa, no crescimento e no emprego, na coesão social e no desenvolvimento sustentável.”.
Constatando que as doenças mentais na Europa estão a aumentar - estima-se que quase 50 milhões de cidadãos (cerca de 11% da população europeia) tenham alguma forma de doença mental, sendo a Depressão, o problema de saúde com maior prevalência -, os signatários daquele importante Pacto apelam aos Estados - Membros da OMS - Europa a agir em cinco áreas prioritárias: Prevenção da Depressão e Suicídio; Saúde Mental na Juventude e Educação; Saúde Mental no Local de Trabalho; Saúde Mental dos Idosos; Combate ao Estigma e a Exclusão Social.
Na nossa região, apesar dos esforços e evoluções positivas verificadas nestas áreas, continuamos a aguardar uma verdadeira Reforma da Saúde Mental, designadamente, no que se refere ao combate à denominada “porta giratória” nos internamentos de psiquiatria, à inversão do “funil” da consulta externa do SESARAM, ao reforço da reabilitação psicossocial, ao efectivo combate ao estigma, à pobreza e exclusão social, a uma maior comunicação, transparência, trabalho em equipa e em rede, etc.
Enfim, esperança que se nos vai desvanecendo à medida que constatamos algumas influências de “poderosos” no sentido da implementação de retrógradas medidas no nosso Sistema Regional de Saúde, designadamente, no que à reorganização dos Cuidados de Saúde Primários diz respeito!
Por enfermeiro Élvio Henriques Jesus, Jornal da Madeira, 18 de Outunro de 2009 |
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IDOSOS ALVO DE ESTUDO NA PONTA DO SOL
Duas enfermeiras, Carina António e Patrícia Câmara, realizaram um estudo que teve por população alvo os idosos da Ponta do Sol, concluindo existir, nesta faixa etária, índices de massa corporal elevados, e até mesmo de obesidade, e um padrão de exercício físico comprometido.
O resultado da investigação foi divulgado, ontem, numa apresentação que decorreu no auditório do Centro Cultural John dos Passos.
O trabalho foi realizado com base num questionário, preenchido durante uma entrevista, em visitas ao domicílio. A amostra foi construída a partir dos utentes inscritos no centro de saúde local, com 65 anos ou mais, e englobou 113 pessoas, num universo de 998 idosos.
Face às conclusões do estudo, integrado num mestrado, com especialização em Enfermagem Comunitária, Patrícia Câmara e Carina António sublinham a necessidade de intervir nestas áreas.
Nesse sentido, será implementado um projecto piloto, o qual gostariam que tivesse continuidade no futuro. Para isso, haverá um envolvimento de toda a equipa do centro de saúde, através do desenvolvimento de actividades físicas, caminhadas ou outras iniciativas que permitam aos idosos adoptarem um estilo de vida mais activo.
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| Por, Sílvia Ornelas DNotícias Madeira |
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"INVERNO DEMOGRÁFICO"
A propósito do recentemente celebrado Dia Mundial do Idoso, dia 1 de Outubro, julgamos oportuno tecer algumas considerações sobre a crescente problemática das pessoas mais idosas, particularmente no que aos aspectos da saúde se referem, as quais decorrem daquilo a que recentemente se passou também a designar de “inverno demográfico”.
A expressão “inverno demográfico” foi utilizada, talvez pela primeira vez, em 2008 num relatório apresentado ao Parlamento Europeu pelo Instituto de Política Familiar, relacionando-o com a preocupação do rápido envelhecimento da população na União Europeia.
De facto, todos nós sabemos ou já ouvimos falar acerca do preocupante e crescente fenómeno da inversão da pirâmide demográfica, a qual revela, em muitos países ou localidades, um progressivo “estreitamento” na sua base (resultante do decréscimo de nascimentos) e um alargamento na parte superior, decorrente, sobretudo, do aumento da longevidade e consequente diminuição da mortalidade da população.
Como aqui já o referimos, o aumento da esperança de vida constitui uma conquista positiva na capacidade de prevenção e intervenção na doença, e na promoção de mais elevados níveis de saúde das pessoas. Porém, quando acompanhada por uma significativa redução no número de nascimentos, poderá reverte-se numa situação que começa a ser, nalguns casos, problemática.
Embora em Portugal o fenómeno do denominado “inverno demográfico” não tenha atingido, ainda, as proporções de outros países europeus, o certo é que nele também as respostas de saúde e de apoio social, sobretudo às populações mais idosas, dependentes ou vulneráveis, não se verificam, igualmente, comparáveis.
Como sabemos, à medida que as pessoas se vão tornando mais idosas, a sua vulnerabilidade e dependência paulatinamente também aumentam, passando estas a necessitar de maior apoio familiar e social. A partir do momento ou nas situações em que o sistema familiar de apoio, também, ele mesmo, influenciado pelo fenómeno do “inverno demográfico”, passa a não possuir capacidade para autocuidar-se, os sistemas de saúde e de apoio social deverão, de modo justo, eficiente, efectivo e integrado, entrar em funcionamento.
E aqui poderíamos retomar a questão da crescente necessidade de articulação entre os diferentes sectores, com particular destaque para os da saúde e social. De facto, as pessoas mais idosas, porque mais vulneráveis, tendem a ficar mais doentes, dependentes e vulneráveis, e assim sucessivamente, num mórbido e muitas vezes letal ciclo vicioso, que urge reverter.
Além de que, não devemos esquecer que o que mais caracteriza a problemática de saúde dos idosos é, sobretudo, a existência das denominadas patologias múltiplas e co-morbilidades (de natureza tanto física como mental), a dependência acumulada e progressiva (tanto física, como psíquica e social), envolvendo um conjunto alargado de prestadores, formais e informais, cuja adequada intervenção exige um efectivo trabalho em equipa multiprofissional e interdisciplinar, na proximidade dos locais onde as pessoas vivem e convivem (utentes) ou trabalham (cuidadores).
Estranhamos, por isso, as aparentes e potencialmente nefastas tentativas de alteração na organização das respostas em saúde a estes e a outros grupos populacionais, as quais, se não adequada e atempadamente revertidas, irão reforçar a tendência para uma intervenção mais individualista, desintegrada e de utilitária subalternidade entre profissionais, tão características das ineficientes e inefectivas mono-respostas a presumíveis simples problemas de saúde ou sociais. Tudo isto em detrimento duma desejável acção multiprofissional integrada e continuada, em que todos se organizam em torno do verdadeiro e principal destinatário da intervenção, seja ele indivíduo, família, grupo ou comunidade, e em que todos se esforçam por pensar globalmente e agir localmente, no quadro das suas especificidades e competências profissionais, como requerido para a maioria do problemas de saúde e sociais, que habitualmente se verificam muito complexos e diversificados.
Carecem, assim, de maior atenção algumas (aparentemente ingénuas) declarações, comportamentos e atitudes de intervenientes na saúde, a diferentes níveis, ao retomarem o pernicioso discurso (e, em alguns casos, até mesmo a praxis) de impedirem a proximidade, equidade e individualidade nas respostas, a gestão, a formação, a investigação e até mesmo a reflexão conjunta sobre os casos e as práticas clínicas quotidianas, designadamente, entre médicos e enfermeiros, tal como há décadas preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda que contrárias à Lei, à Deontologia e às Boas Práticas de ambas estas auto-reguladas profissões!
Por Enfermeiro Élvio Henriques Jesus, Jornal da Madeira, 4 de Outubro de 2009 |
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NOVOS ENFERMEIROS
No passado dia onze de Setembro, teve lugar no Funchal mais uma cerimónia de vinculação à profissão, durante a qual os jovens licenciados em enfermagem prestaram o seu juramento profissional e lhes foi entregue a cédula profissional que os autoriza ao exercício da profissão, no âmbito das competências científicas, técnicas e humanas que o respectivo título (o de Enfermeiro) confere - “a prestação de cuidados gerais de enfermagem ao indivíduo, à família e à comunidade, nos três níveis de prevenção” (cf. Artigos 7ºs do Dec. Lei nº 104/98 e Lei nº111/2009).
Se para muitos destes jovens, o caminho para aqui chegarem não terá sido muito fácil, o que agora iniciam, embora diferente, também requererá muita motivação, empenho, dedicação e espírito altruísta. A responsabilidade inerente à profissão que escolheram e que a partir de agora estão autorizados a exercer, é muito elevada. Os princípios e os valores consagrados na parte do Código Deontológico daquela legislação e que lhe são inerentes, e aos quais todos nós, enquanto enfermeiros estamos vinculados, exigem a reflexão e o aprofundamento contínuos na prática quotidiana.
Os contextos onde irão exercer a profissão são por natureza exigentes, dinâmicos e muito complexos, quer sejam eles os domicílios, comunidades, lares ou hospitais. Os problemas apresentados pelos utentes, famílias ou grupos, e que são da esfera própria de intervenção do enfermeiro, geralmente não são lineares, bem definidos ou estáveis, requerendo muitas vezes, pouco tempo para a tomada de decisão.
Embora sabendo tal não constituir novidade para muitos destes jovens, gostaria no entanto de os, uma vez mais, aconselhar a continuação da aprendizagem, pois, o profissionalismo, a autonomia e a consequente responsabilidade que nos é exigida, não se compadecem com incipientes investimentos na autoformação e na vontade de aprender ao longo da vida.
Um outro aspecto que gostaria de salientar tem a ver com uma das nossas maiores preocupações - o trabalho de equipa. Um verdadeiro trabalho de equipa da qual todos são parte integrante e activa da mesma, tendo como centro e foco de atenção, o cidadão.
Os utentes, as famílias, os grupos ou comunidades merecem e têm direito a um cuidado seguro e de qualidade para o qual o trabalho de equipa se torna indispensável. Trabalho este que só poderá ser cabalmente exercido por profissionais (todos) bem formados, felizes, justos, competentes, sabedores, responsáveis, autónomos, que pensem globalmente e ajam no contexto da sua especificidade profissional. E que estejam verdadeiramente interessados no serviço público que prestam - os cuidados de saúde.
Os profissionais, por seu lado, também merecem e têm direito a condições favorecedoras do seu desenvolvimento profissional, assim como a ambientes pró-activos, modernos, adequados, transparentes, justos, responsabilizantes, seguros, estimulantes e respeitadores da dignidade individual de todos, sem excepção. Só assim se poderão criar as condições indispensáveis para que os utentes usufruam dos tais níveis de cuidados seguros e de qualidade que todos almejamos.
Mas para tal, o exemplo deverá também provir da hierarquia. Os enfermeiros, incluindo os gestores de nível operacional, responsáveis aos níveis dos serviços, departamentos ou outras unidades prestadoras de cuidados, não poderão continuar a ser desrespeitados, desautorizados, injustiçados, depreciados nas suas responsabilidades e competências por parte de gestores de outras áreas profissionais. Tal como não devem continuar a assistir à passividade de alguns dos seus pares, tão lestos que se mostram a ignorar e por vezes até mesmo corroborar com tais impropérios. Os utentes e os enfermeiros merecem, têm direito e exigem outras atitudes e comportamentos, dignos, justos e responsáveis.
Uma outra preocupação gostaríamos de ainda referir. A da habitual demora na abertura de concursos para os novos profissionais. Compreendemos algumas das razões, mas apelamos a uma maior celeridade nos processos, de modo a que, no mais breve curto de espaço de tempo possível, possamos ver todos estes enfermeiros a iniciar os seus percursos profissionais, a melhor se prepararem para a resposta em cuidados de enfermagem de que a nossa população tanto necessita.
Como bastas vezes o temos referido, persiste a falta enfermeiros em praticamente todos os nossos serviços de saúde. Alguns colegas chegam a trabalhar, em alguns períodos, cerca de oitenta horas semanais. E isto constitui um risco muito grande, para os utentes e para os profissionais. Os colegas que recentemente prestaram o seu juramento profissional poderão ajudar na minimização deste fenómeno mas, para tal, deverão rapidamente iniciar as suas funções, pois só mais tarde, após um considerável período de exercício profissional devidamente acompanhado, estarão em condições de substituir integramente os colegas com maior conhecimento e experiência profissional.
Antes de finalizar, uma especial referência aos cuidados de saúde primários gostaríamos de efectuar. Até porque é nossa convicção de que da sua melhor ou pior adequação dependerá o funcionamento, a acessibilidade e a sustentabilidade dos serviços hospitalares. Apesar da falta de profissionais, tanto médicos como enfermeiros nestes contextos, temos dificuldade em compreender a inexistência, pelo menos do nosso conhecimento, de um plano de curto ou médio prazo, o qual garanta a cada família o seu enfermeiro e o seu médico. Pelo menos, numa fase intermédia, um ou outro destes profissionais, e que condições para a complementaridade funcional entre ambos sejam efectivamente criadas. O que não podemos continuar a aceitar é a persistente tentativa de alguns, invocando em vão o trabalho de equipa de saúde, de progressivamente concentrar ambos estes profissionais no mesmo grupo de utentes (leia-se lista do médico, independentemente da confinação da área geodemográfica), deixando ainda mais a descoberto as necessidades dos muitos que ainda possuem praticamente nada.
Igualmente não podemos continuar a assistir à insistente tentativa de desorganização do trabalho de saúde e de enfermagem familiar de proximidade, tão importante que é para a identificação das determinantes e para promoção da saúde individual ou da comunidade, como para a segurança e qualidade das respostas e satisfação dos utentes e familiares. Uma rápida e firme intervenção ao mais alto nível é requerida. Pois não podemos passivamente aceitar, por exemplo, a elevada, e por vezes fatal, taxa de reinternamentos hospitalares por dificuldades no cumprimento do plano de cuidados e regime terapêutico, sobretudo nos grupos de pessoas de idade mais avançada, dependentes ou portadoras de doença crónica. A implementação imediata de, pelos menos, uma visita de um enfermeiro do Centro de Saúde, preferencialmente o de família, nas primeiras 24 horas após o regresso a casa destas pessoas, uma vez internadas, deverá ser assegurada, tal como o fizeram os países nórdicos há mais de quarenta anos para com todas as crianças. Uma intervenção que julgamos urgente, importante, necessária e justificada, ainda que considerado apenas o ponto de vista da sustentabilidade financeira!
Em suma, um modo diferente de organizar as respostas às necessidades em cuidados de saúde, menos hospitalocêntrico e menos dispendioso para os utentes, evitando que sejam forçados a recorrer ao honeroso, fragmentado e por vezes inseguro sector privado da saúde. É um imperativo de natureza humana, de saúde, económica e social.
Por Enfermeiro Élvio Henriques Jesus, Jornal da Madeira, 20 de Setembro de 2009 |
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“É preciso mais regulação na área da Saúde”
O presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, Élvio Jesus, defende em entrevista à Newsletter da Farmácia do Caniço, que deveria haver uma maior regulação na área da Saúde, a começar pela imposição da exclusividade nos cargos de chefia. Uma maior celeridade no lançamento dos concursos de admissão é a solução apontada para fazer face ao actual défice de 600 enfermeiros na Região Autónoma da Madeira (Ler mais.).
Leia aqui a entrevista na integra |
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GRIPE A
Ontem realizou-se no Funchal um painel sobre Gripe A - H1N1 2009 -, com a participação do Director-Geral da Saúde, Dr. Francisco George, do Coordenador da Linha Saúde 24, Enfermeiro Sérgio Gomes, do Dr. Maurício Melim e Enfermeira Ana Clara, Presidente e Vice-presidente respectivamente, do IA-Saúde IP-RAM, destinado a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, e para o qual foram convidados diversos responsáveis da saúde regional, associações de utentes e profissionais da comunicação social.
Tratou-se de um contributo da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros no sentido da preparação dos profissionais, serviço e sistema regional de saúde para que, em conjunto com os cidadãos, todos possamos colaborar numa melhor resposta aos desafios que o evoluir deste fenómeno pandémico poderá colocar.
Embora este texto tenha sido escrito antes da realização do evento, o que nos impossibilita de revelarmos as suas principais conclusões, gostaríamos no entanto de referir alguns dos aspectos que nele esperamos ver debatidos.
Em primeiro lugar, dadas as responsabilidades e saberes profissionais dos diversos participantes, todos teremos com certeza a oportunidade de ouvir e aprofundar os aspectos de natureza técnica, epidemiológica e organizativa mais actuais, a nível internacional, nacional e regional.
Segundo, dados os objectivos do painel, todos teremos, igualmente, a oportunidade de debater e colocar questões bem como algumas das nossas inquietações num ambiente multiprofissional e interdisciplinar, relativamente ao modo como se prevê esta situação irá evoluir.
Por último, e não menos importante, o fenómeno da Gripe A será, deste modo, largamente abordado, em simultâneo, com o envolvimento de profissionais e responsáveis aos diferentes níveis de intervenção: prática clínica, organizações (prestadoras e reguladoras), serviço e sistema de saúde, de âmbito regional e nacional.
Não obstante o anteriormente referido, gostaríamos de partilhar algumas das nossas actuais inquietações, a primeira das quais vai para a necessidade de melhorar o trabalho em equipa. Um modo imprescindível de garantia da segurança e da qualidade dos cuidados de saúde preconizado há décadas pela Organização Mundial de Saúde, embora, incompreensivelmente, tão actualmente dificultado nos nossos contextos organizacionais.
Um outro aspecto gostaríamos ainda referir: a percepção de que algo necessita de rapidamente ser melhorado no que se refere à articulação entre entidades de tutela política, reguladoras, técnicas e prestadoras de cuidados. Uma conjugação de esforços tão imprescindível para que as respostas em saúde (todas) se verifiquem, efectivamente, de qualidade, seguras, eficientes, eficazes, equitativas e sustentáveis.
Enfim, embora tudo indique que a Gripe A não será tão letal quanto os outros tipos de gripe sazonal, o certo é que se trata de um novo agente infeccioso, que praticamente não encontra pessoas competentemente imunizadas para lhe fazer face, com a consequente capacidade de infectar um maior número de indivíduos. Além de que teremos sempre de contar com as possíveis e previsíveis modificações genéticas que normalmente acontecem na nossa natureza.
Neste sentido, a informação, a educação e os incentivos ao cabal exercício de uma verdadeira cidadania e reforço do poder de decisão dos cidadãos são aconselhados. A elaboração de planos de saúde e de contingência são também requeridos aos diferentes níveis organizacionais e até mesmo familiar, assim como a transparência e o assumir de responsabilidades por parte de todos os envolvidos nos processos de saúde, sejam eles utentes, profissionais ou gestores e decisores políticos.
Não deixando sempre de considerar o facto de que em saúde os recursos, por oposição às necessidades, serão sempre limitados. O que implica uma acrescida responsabilidade na sua distribuição e fundamentação objectiva e científica para eventuais desvios na sua utilização, pois não poderemos esquecer das outras determinantes da saúde, algumas das quais de maior gravidade e mortalidade.
Para tal, dada a natureza, preparação, altruísmo, responsabilidade, disposição para a mudança, proximidade pessoal e geográfica dos cidadãos, das famílias e das comunidades, que tanto caracterizam o exercício profissional dos enfermeiros, podemos uma vez mais afirmar que com eles, trabalhando em equipe ou a nível individual, poderemos todos contar. Apenas necessitando que os deixemos responsável e livremente trabalhar!
Por Enfermeiro, Élvio Henriques, Jornal da Madeira, 6 de Setembro de 2009
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